A batalha será bela eu, sozinho,
contra toda a humanidade.
(Lautréamont)
à Lucas Leal dos Reis
Sonho:
é-me tarefa laboriosa encarar a realidade do jeito que os homens a conhecem. Todos os meus segredos guardados numa caixa de giz. Seguir modelos ou regras, ?desagregado lhe pareço: desregrado por excelência, por conveniência vadio, vagabundo jamais. Outros dias atrás e tinha um trampo, mas o que houve? Já nem lembro qual foi o motivo: sempre correndo atrás, como dizem por aí... – Papo furado, uns cigarros, uns poucos trocados no bolso farreado de fartura imaginária. Beleza inquieta, porém cruel com o rigor que a vida lhe vale: olhar meigo para o canto da casa: talvez vazio. – Por isso, nada. Por essas e outras? Oras! É na faixa! Mais uma volta, mais uma vez e lhe vem a idéia: violência, uma dor imatura: desejos à flor-da-pele: espinho escaldado no estigma de ser. Um qualquer, mas um. Aceita-te? Paciência, ocorreu-me um instante: dor, oras a dor? É incalculável gozo. Terror nuns lábios mal sarados: reflete um instante ou dois, titubeia. Ocorreu-me o seguinte:
Se escarro na rua ou cometo um delito, qual é o mais bonito? Excelente jogada, mas uma péssima interpretação das circunstâncias, como se chamasse novamente à tona do lodo alto, do lado infeliz de se enxergar a desgraça, mesmo que não a nossa: bela tentativa, da amargura: seus desejos são seus, basta guardá-los. Mas não é simples assim: onde amargo meus delírios? No breve e inconstante lenitivo, sempre: a dor. Mesmo que alheia, não me importo: incorpora-se um medo de tudo, é incrível. Mas basta, ou não. Até quanto?
Mas quando tal desejo não sacia e excede? Terror e cansaço tomam por si forma útil: a doença, o descaso pode ser um flagelo amável às vistas dos que o cercam. Sentir pena do próprio gozo que tanto fere, porém necessário, mesmo que para existir apenas. Máculas danadas assolam também à vista de um corpo quase intocado, mas que se putrefaz por desleixo e dever, cobrando da carne o mais sereno segredo.
Por hora insisto em saber, mas é inútil. Vencido pelo medo da palavra, ainda que agregada à gratidão, à grandeza... não era possível estabelecer comunicação qualquer que se faz: por hora desisti.
Um instante, e tento convencê-lo que o saber se faz necessário: - Eu sei, também estive lá: as horas passam flagelando o lindo encanto, e a aurora, ainda acesa, se desfaz em lágrimas sinceras, um pouco suadas, mas existem – ainda que como uma maldição terrível, ou uma insistência acaso superada. A glória de uma remota lembrança entre risos e carícias platônicas: o medo de ser tocado: alguém que espreita a beleza mal-cuidada, a beleza encoberta que respira sempre que citada ao menos: o lodo lava a arrogância espessa. Espero e não sei mais o que fazer neste minuto que se passa.
Verborrasga mais quatro instantes antes de se decidir diante daquilo que o mentém cativo: convívio inútil o meu: não perceber que eram apenas pétalas caídas, o chão já sujo, era hora de levantar-se dalí e fazê-lo calar, mas mais uma vez me convencera: o ódio é cego: divirta-se com seus desejos impossíveis: regozige do lixo: sorria com dentes podres para a beleza. Sofro, mas ninguém precisa saber.
domingo, 29 de julho de 2007
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2 comentários:
Necessário recitar, trazer para o universo das tonitroâncias.
Quem sabe um podcast, mestre Ednei ?
Tecnologias estão aí para.
Abraço.
parabéns...continue assim... que texto da (mulestia) muleke!
brilhe vc merece na encolhida como vc faz! o que importa é a sua mente e em volta dela, ela é que alimenta sua alma e comanda seu corpo.
att, edu
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