Voz lúgubre de rádio: transmitida em baixa freqüência
Chorei por uma moça apaixonada cheia de amor e misericórdia, mas você sabe o tempo deteriorou meus órgãos genitais e não posso mais me apaixonar por coisa viva que for. Somente flerto com apresentadoras de telejornais e mesmo assim, não sei porque meu coração bate feliz e não correspondido adormeço: começo outra luta corporal: pastas e cremes para as mãos. O instante passa e mais uma vez pereço entre sins e nãos.
Tape 2: você sabe que o amor morreu, mas sua sombra me felicita. Passando pelas mãos quase as toca... chego a abandonar este estado de semiletargia. Quando não transgrido transmito intenções até maleáveis, esquisitas, mas aceitáveis e que possam lhe servir para algo ainda não descoberto: o desejo ou que dele restou depois de labutar lunaticamente antes do morrer da aurora.
Interrupção – solfejo em voz baixa
Ainda tento antes que o tempo escorra pelos vidros da casa: a pálpebra escorre pelas lágrimas do orgulho e me encontro imóvel hora após hora neste desencanto.
Interrupção constante – azul violento toma o som
Tape 3: final da transmissão. Erro: fim mútuo de ódio tremendo.
Voz em off – cine morgenau
Sol em semcível céu, aproveitando a tarde da madrugada: e fechando-se em sombras simtilantes nuvens cinzaàs manhãs austeras reservadas no capim cavado da meniandra. arco de luz que se encilha no penteado do pentelho: curva medonha da barriga miséria vocifera voz mansa a escassez daaas velhas vagas coragens. Pulula sem fim um pornô, extinto caráter canino: assassino de instantes, nomes de virgens, possas de porra: escasso e mais uma vez escasso de carne ultrajada para tanto desejar.
Tentação de morango véucru vulgar: passando a mão, suando sujo: lambendo o ultimo desejo antes de cair aos seus pés. Pios no escuro, torções e distorções: um hã. Hein? Não ouvi: o olho não escuta no escuro do quarto barato: o cachorro latia e gemia e uivava dando vezes por sossegado e pinto pendurado e endurecido na alcova do ultimo piá vivo afoito: leito de rosas da casa azul.
Voz de locutor de novela mexicana – festival de música (transmitido pela TV)
Finalmente o veredicto: e o grande perdedor é... é... é... o clown!
- Música isto? É UM ABSURDO!!!!! Ó! INFÂMIA!
Eles finalmente perderam: a pequena burguesia decadente que só tomanha banho aos sábados assistindo programas de auditória, ficaram aturdidos com os ecos de canhões que, por estarem estacionados mato adentro, eles num ouviam não.
(O microfone girava sonso a procurar uma vítima aturdida para fazê-lo cuspir acerca do espetáculo.)
- SHHHHHH!!! CALE A BOCA!!
Invadiram sua casa, assaltaram suas calças, suas filhas e suas calcinhas mancharam... (fim da transmissão – imagem congela na hiper-reticulada cara bonachuda do apresentador.)
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
sexta-feira, 5 de outubro de 2007
Conto + Fotografia
Esta é a segunda postagem que tento unir uma fotografia da Simone com um texto meu. Temos procurado fotos já existentes a textos que também já estão prontos (ou quase). Este texto na verdade é meio descolado dos temas que usualmente escrevo e, de certo modo, a fotografia da Simone também, já que foi feita não com o intuito de ser uma foto-arte, mas uma foto-produto, mas que ficou tão boa que agora virou arte. Espero que gostem!
domingo, 30 de setembro de 2007
Cá com Meus Botões – Assunto: Música
Eu, como um viciado em baixar músicas através de blogs, notei que encontrar um blog que se dedique à música Erudita, ainda mais a Música do Século XX e da atualidade é bastante difícil, se não, impossível. Pensando cá com meus botões, porque não postar, de vez em quando, esse tipo de música, que também é difícil de se encontrar por aí pra vender e, quando encontrado, como geralmente são discos importados, são bastante caros. E, acima de tudo, é música pouco conhecida e muito, muito interessante.
É justo começar por um compositor que foi um dos precursores desta revolução musical que se instaurara no século XX, Arnold Shöneberg, pai do dodecafonismo, base musical de mais da metade dos compositores do século XX. E Pierrot Lunaire é uma das obras mais importantes deste grande compositor, e também das mais conhecidas.
Vale muito a pena citar aqui também que não sou especialista em música, quiçá em Música Erudita do Século XX e além. Mas às quartas-feiras, na rádio Paraná Educativa, FM 97.1, às 22h passa o programa do meu grande amigo e compositor Harry Crowl, chama-se Música da Atualidade. Vale a pena conferir. Nós, aqui deste lado, apenas reforçamos o assunto.
É justo começar por um compositor que foi um dos precursores desta revolução musical que se instaurara no século XX, Arnold Shöneberg, pai do dodecafonismo, base musical de mais da metade dos compositores do século XX. E Pierrot Lunaire é uma das obras mais importantes deste grande compositor, e também das mais conhecidas.
Vale muito a pena citar aqui também que não sou especialista em música, quiçá em Música Erudita do Século XX e além. Mas às quartas-feiras, na rádio Paraná Educativa, FM 97.1, às 22h passa o programa do meu grande amigo e compositor Harry Crowl, chama-se Música da Atualidade. Vale a pena conferir. Nós, aqui deste lado, apenas reforçamos o assunto.
Arnold Shöenberg e sua Obra

Nascido em Viena, a 13 de setembro de 1874, Arnold Franz Walter Schöenberg, de uma família de judeus ortodoxos, numa Europa declaradamente anti-semita. Compositor autodidata, se identificou primeiro com a escola alemã, denominada Expressionismo, que compactuava com as idéias de Sigmund Freud. Das observações ao interior do ser humano, seus sonhos e absurdos, ao inconsciente. Em 1909 compõe aquela que seria a primeira obra dodecafônica da história da música, suas Três Peças para Piano, Opus 11. Diferente de seus comtemporâneos, Stravinski e Bártok, não alcança a fama por se considerar sua música muito violenta, muito fora dos padrões. Porém, deixa dois importantes seguidores: Alban Berg e Anton Webern. Este último iria revolucionar de vez a música no ocidente, sendo considerado mesmo um dos precursores da Música Contemporânea do pós-Guerra.
Com a ascensão do nazismo, é obrigado a mudar-se para os Estados Unidos, onde passa momentos difíceis. Sua obra é radicalmente alterada pela ditadura da liberdade americana. Lá faz mais alguns importantes discípulos, como o compositor John Cage, aliás a quem o mestre vienense profetizará que jamais iria se tornar um compositor, por suas dificuldades técnicas em entender certos conceitos musicais. Morreu em 1951, pouco conhecido e com muitas obras inacabadas.
Pierrot Lunaire
Com a ascensão do nazismo, é obrigado a mudar-se para os Estados Unidos, onde passa momentos difíceis. Sua obra é radicalmente alterada pela ditadura da liberdade americana. Lá faz mais alguns importantes discípulos, como o compositor John Cage, aliás a quem o mestre vienense profetizará que jamais iria se tornar um compositor, por suas dificuldades técnicas em entender certos conceitos musicais. Morreu em 1951, pouco conhecido e com muitas obras inacabadas.
Pierrot Lunaire
Três vezes sete poemas do 'Pierrot Lunaire', o "Pierrot lunático", Op. 21, é um ciclo de canções faita com base num conjunto selecionado de 21 poemas da tradução alemão realizada por Erich Hartleben do ciclo de poemas homônimo escrito por Albert Giraud. A obra estreou no Berlin Choralion-saal em 16 de outubro de 1912, com Albertine Zehme como vocalista.
Composta para solista soprano e orquestra canta os poemas em Sprechstimme, uma espécie de versão vocal ao atonalismo de Schöenberg.
A presente versão é uma gravação do final dos anos 90 da Deutsch Grammophon, regida pelo maestro e compositor francês, Pierra Boulez.
domingo, 23 de setembro de 2007
Não deixe o Domínio Público morrer!
Ouvi dizer que o nosso brilhante Ministério da Cultura teve também brilhante idéia de extinguir o site Domínio Público.Pois bem, pela primeira vez uso meu blog para fazer um apelo a todos aqueles que se importam com a tão sucateada cultura do nosso país. Há um link fale conosco, que usaremos como uma espécie de ouvidoria. Então, vamos todos escrever cartas lamentosas, pedindo pelo amor de Deus que não façam essa besteira!A saber, o http://www.dominiopublico.gov.br/, é um site que, como já diz o nome, abriga milhares de obras, tanto visual, como sonora, bem como livros literários, técnicos, teses, tudo na faixa. Pra se ter uma idéia, a quantidade de títulos de obras literárias chega a quase 800 títulos. Trabalhos muito, muito interessantes como, Machado de Assis, Lima Barreto e Fernando Pessoa.Vamos lá, pessoal, não custa nada deixar mais este absurdo acontecer. Nosso tão malfadado país já anda miserável demais, culturalmente falando, (e economicamente também). Dêem uma forcinha, tenho certeza que vocês colocarão a cabeça no travesseiro mais leve depois disso.
domingo, 29 de julho de 2007
COÁGULO #19
A batalha será bela eu, sozinho,
contra toda a humanidade.
(Lautréamont)
à Lucas Leal dos Reis
Sonho:
é-me tarefa laboriosa encarar a realidade do jeito que os homens a conhecem. Todos os meus segredos guardados numa caixa de giz. Seguir modelos ou regras, ?desagregado lhe pareço: desregrado por excelência, por conveniência vadio, vagabundo jamais. Outros dias atrás e tinha um trampo, mas o que houve? Já nem lembro qual foi o motivo: sempre correndo atrás, como dizem por aí... – Papo furado, uns cigarros, uns poucos trocados no bolso farreado de fartura imaginária. Beleza inquieta, porém cruel com o rigor que a vida lhe vale: olhar meigo para o canto da casa: talvez vazio. – Por isso, nada. Por essas e outras? Oras! É na faixa! Mais uma volta, mais uma vez e lhe vem a idéia: violência, uma dor imatura: desejos à flor-da-pele: espinho escaldado no estigma de ser. Um qualquer, mas um. Aceita-te? Paciência, ocorreu-me um instante: dor, oras a dor? É incalculável gozo. Terror nuns lábios mal sarados: reflete um instante ou dois, titubeia. Ocorreu-me o seguinte:
Se escarro na rua ou cometo um delito, qual é o mais bonito? Excelente jogada, mas uma péssima interpretação das circunstâncias, como se chamasse novamente à tona do lodo alto, do lado infeliz de se enxergar a desgraça, mesmo que não a nossa: bela tentativa, da amargura: seus desejos são seus, basta guardá-los. Mas não é simples assim: onde amargo meus delírios? No breve e inconstante lenitivo, sempre: a dor. Mesmo que alheia, não me importo: incorpora-se um medo de tudo, é incrível. Mas basta, ou não. Até quanto?
Mas quando tal desejo não sacia e excede? Terror e cansaço tomam por si forma útil: a doença, o descaso pode ser um flagelo amável às vistas dos que o cercam. Sentir pena do próprio gozo que tanto fere, porém necessário, mesmo que para existir apenas. Máculas danadas assolam também à vista de um corpo quase intocado, mas que se putrefaz por desleixo e dever, cobrando da carne o mais sereno segredo.
Por hora insisto em saber, mas é inútil. Vencido pelo medo da palavra, ainda que agregada à gratidão, à grandeza... não era possível estabelecer comunicação qualquer que se faz: por hora desisti.
Um instante, e tento convencê-lo que o saber se faz necessário: - Eu sei, também estive lá: as horas passam flagelando o lindo encanto, e a aurora, ainda acesa, se desfaz em lágrimas sinceras, um pouco suadas, mas existem – ainda que como uma maldição terrível, ou uma insistência acaso superada. A glória de uma remota lembrança entre risos e carícias platônicas: o medo de ser tocado: alguém que espreita a beleza mal-cuidada, a beleza encoberta que respira sempre que citada ao menos: o lodo lava a arrogância espessa. Espero e não sei mais o que fazer neste minuto que se passa.
Verborrasga mais quatro instantes antes de se decidir diante daquilo que o mentém cativo: convívio inútil o meu: não perceber que eram apenas pétalas caídas, o chão já sujo, era hora de levantar-se dalí e fazê-lo calar, mas mais uma vez me convencera: o ódio é cego: divirta-se com seus desejos impossíveis: regozige do lixo: sorria com dentes podres para a beleza. Sofro, mas ninguém precisa saber.
contra toda a humanidade.
(Lautréamont)
à Lucas Leal dos Reis
Sonho:
é-me tarefa laboriosa encarar a realidade do jeito que os homens a conhecem. Todos os meus segredos guardados numa caixa de giz. Seguir modelos ou regras, ?desagregado lhe pareço: desregrado por excelência, por conveniência vadio, vagabundo jamais. Outros dias atrás e tinha um trampo, mas o que houve? Já nem lembro qual foi o motivo: sempre correndo atrás, como dizem por aí... – Papo furado, uns cigarros, uns poucos trocados no bolso farreado de fartura imaginária. Beleza inquieta, porém cruel com o rigor que a vida lhe vale: olhar meigo para o canto da casa: talvez vazio. – Por isso, nada. Por essas e outras? Oras! É na faixa! Mais uma volta, mais uma vez e lhe vem a idéia: violência, uma dor imatura: desejos à flor-da-pele: espinho escaldado no estigma de ser. Um qualquer, mas um. Aceita-te? Paciência, ocorreu-me um instante: dor, oras a dor? É incalculável gozo. Terror nuns lábios mal sarados: reflete um instante ou dois, titubeia. Ocorreu-me o seguinte:
Se escarro na rua ou cometo um delito, qual é o mais bonito? Excelente jogada, mas uma péssima interpretação das circunstâncias, como se chamasse novamente à tona do lodo alto, do lado infeliz de se enxergar a desgraça, mesmo que não a nossa: bela tentativa, da amargura: seus desejos são seus, basta guardá-los. Mas não é simples assim: onde amargo meus delírios? No breve e inconstante lenitivo, sempre: a dor. Mesmo que alheia, não me importo: incorpora-se um medo de tudo, é incrível. Mas basta, ou não. Até quanto?
Mas quando tal desejo não sacia e excede? Terror e cansaço tomam por si forma útil: a doença, o descaso pode ser um flagelo amável às vistas dos que o cercam. Sentir pena do próprio gozo que tanto fere, porém necessário, mesmo que para existir apenas. Máculas danadas assolam também à vista de um corpo quase intocado, mas que se putrefaz por desleixo e dever, cobrando da carne o mais sereno segredo.
Por hora insisto em saber, mas é inútil. Vencido pelo medo da palavra, ainda que agregada à gratidão, à grandeza... não era possível estabelecer comunicação qualquer que se faz: por hora desisti.
Um instante, e tento convencê-lo que o saber se faz necessário: - Eu sei, também estive lá: as horas passam flagelando o lindo encanto, e a aurora, ainda acesa, se desfaz em lágrimas sinceras, um pouco suadas, mas existem – ainda que como uma maldição terrível, ou uma insistência acaso superada. A glória de uma remota lembrança entre risos e carícias platônicas: o medo de ser tocado: alguém que espreita a beleza mal-cuidada, a beleza encoberta que respira sempre que citada ao menos: o lodo lava a arrogância espessa. Espero e não sei mais o que fazer neste minuto que se passa.
Verborrasga mais quatro instantes antes de se decidir diante daquilo que o mentém cativo: convívio inútil o meu: não perceber que eram apenas pétalas caídas, o chão já sujo, era hora de levantar-se dalí e fazê-lo calar, mas mais uma vez me convencera: o ódio é cego: divirta-se com seus desejos impossíveis: regozige do lixo: sorria com dentes podres para a beleza. Sofro, mas ninguém precisa saber.
sexta-feira, 6 de julho de 2007
À Imagem a Palavra
Não se sabe ao certo se por culpa da foto o texto nasceu ou foi o contrário, pois nem Simone, a autora da foto e nem eu sabíamos da existência de tais obras: ócio exposto ao infinito.
Unir fotografias e textos é nossa ambição antiga, creio que esta modesta publicação é apenas a feliz demonstração de outras profícuas obras neste formato.
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